Livro Corte - Fabio Rocha

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Autor(es): FABIO ROCHA
Capista: PAULO VERMELHO
ISBN 8589126412
POESIA BRASILEIRA
Páginas: 96
Formato: 14X21
Edição: 1ª
Idioma: PORTUGUÊS
Ano: 2004


“CORTE”: A Magia da Poesia

O título é significativo: “Corte”. Ruptura, divisão. Ferimento... Muitas as leituras possíveis: costurar, alinhavar o que se pode construir, separar algo em partes, aparar. Pois todas essas leituras e outras mais encontram-se no livro “Corte”, de Fabio Rocha. Mas como o livro ostenta um subtítulo “10 anos de Poesia”, creio que a melhor expressão seja a de um corte fechado, já suturado, à espera de um recomeço. O autor, apesar de sua já intensa estrada poética (consta em seu currículo sete livros de poesia, sendo, a grande maioria e-books que podem ser conseguidos gratuitamente no site do poeta, “A Magia da Poesia”, um dos melhores deste incrível mundo eletrônico), devido aos intrincados caminhos da crítica literária, é, ainda, praticamente desconhecido nos meios literários, apesar de elogios à sua obra vindos por categorizados poetas contemporâneos, como Ricardo Alfaya, Elaine Pauvolid, Affonso Romano de Sant’Anna, Ítalo Moriconi, entre outros. “Corte” serve para contextualizar o trabalho deste jovem poeta carioca, formado em administração pela UERJ. Toda seleção carrega em sua feitura algo de arbitrário, como o gosto pessoal de cada selecionador, por exemplo. Entretanto, quando ela é realizada pelo próprio autor, a missão, aparentemente mais fácil, pode se tornar mais difícil devido à proximidade do criador com a criatura, e tudo o que o envolve em paixão e emoção. É um risco que se corre. Ganha-se, contudo, porque a seleção mostra, assim, um pouco mais sobre o seu autor, inclusive sua linha criativa, suas principais referências pessoais e, no caso, literárias. Portanto, os “melhores poemas” de Fabio Rocha – vistos por ele mesmo – encontram-se, objetivamente, nesta coletânea, em boa hora vinda a lume, pela Íbis Libris. A principal característica que se pode inferir aos seus poemas é que possuem unidade estilística, embora nem sempre ocorra unidade temática, talvez, justamente, por se tratar de um apanhado geral de toda uma obra. Todos os temas são válidos ao poeta, notando-se uma procura incessante da perfeição estilística, na busca da palavra certa, na eliminação do excesso. Como exemplos, o belo “A foto”: (...) Uma família fotografa o crepúsculo./ O mar diz que não caberá na foto.”(...) Ou, “Subúrbio”: “As pessoas na rua / aplaudem / as casas sem campainha.” Essa depuração dos versos o leva ao poema curto – curtíssimo – quase haicais, às vezes correndo o poeta o risco de repetir-se ou mesmo cair na tentação dos trocadilhos ou do poema-piada, que tanto mal vêm fazendo à boa literatura. Mas Fabio consegue se salvar da tentação e em sua grande maioria a sua contundência traz à baila versos extremamente bem construídos, elaborados em técnica e forma, afastando-o daqueles que são meros fazedores de versos – e que, obviamente, nem sempre podem ser considerados poetas, na acepção primeva da palavra, ou seja, criadores. Fabio Rocha dribla esses percalços e constrói uma poesia límpida e lírica, sem hermetismo para inglês ver, sem chavões, fazendo de seu “Corte” – e da seleção de seus poemas – uma divisão de fronteiras entre o passado e o futuro. Sabe que, depois dele, sua obra estará exposta, com todo o sangue, suor, dor e alegria que ela contém, e que os passos seguintes serão o da construção de uma nova arquitetura poética, com a mesma consciência pessoal e social, com seu olhar humanitário, como se o “corte” servisse, principalmente, para a desconstrução de um ser e o (re)nascimento de um novo, de um outro-mesmo, com iguais e imensas possibilidades. Afinal, como o poeta diz no poema dedicado a Cecília Meireles, “A poesia da rosa / é seu espinho”. Que venham, portanto, novos “cortes”.

TANUSSI CARDOSO
Poeta, jornalista, Vice-Presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro
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